segunda-feira, 21 de maio de 2018

125 anos do Fogo de Maceté.


125 anos do Fogo de Maceté.


O dia vinte e seis de maio
Início da trajetória
Do embate iniciado
Que guardamos na memória
De luta, coragem e fé
O fogo de Maceté
Um marco da nossa história

Quando Antônio Conselheiro
Andava pelo sertão
Encontrou em Maceté
Acolhida e atenção
Mas aquele penitente
Co’aquele povo valente
Sofreram perseguição

Chegava no seu encalço
Tal força policial
Do Estado da Bahia
Portando seu arsenal
Os praças e o Tenente
Prenderia o penitente
Por um ato oficial

Mas na hora do embate
O povo de Conselheiro
Em defesa de seu líder
Fiel e sempre ordeiro
Revidou com valentia
Ali o “fogo” acendia
Era o embate primeiro

Foi tiro pra todo lado
Da parte da força armada
O povo do conselheiro
Com facão e espingarda
Alguns soldados morreram
Os que sobraram correram
Em fuga desordenada

Foi em mil e novecentos
No ano noventa e três
Era vinte e seis de maio
Digo a todos vocês
Ali começou uma guerra
Que manchou a nossa terra
E digo com lucidez

N’Os Sertões tem o registro
Da tentativa covarde
Do ataque aos penitentes
Na surdina e sem alarde
Em um massacre sangrento
Mas outro foi o evento
Até hoje o “fogo” arde

Morreu gente do beato
Da tropa também morreu
Maceté foi o lugar
Onde tudo ocorreu
Ali o fogo primeiro
E Antônio Conselheiro
Aquele que o acendeu

Ainda hoje crepita
O fogo nos corações
E cada ano se acende
Em belas atuações
Os jovens de maceté
Em arte, cultura e fé
Vencendo limitações

E todo ano esse fogo
Mantendo a chama viva
Recontando a história
Tornando a data festiva
Através da juventude
Com arte e atitude
Que a história sobreviva

Depois dessa tentativa
De matar o Conselheiro
Formam quatro investidas
Do governo Brasileiro
Na quarta expedição
Sob tiro de canhão
Um massacre verdadeiro

Que fique aqui registrado
Que o povo não se rendeu
Que os motivos da guerra
A gente não esqueceu
Está vivo na memória
No fogo e na história
O crime não prescreveu

Que o fogo de Maceté
Aqueça os corações
Tornando viva a história
Trazendo novas lições
Pra essa gente sofrida
Pelo brasil esquecida
A alma desses sertões.

Inamar Coelho, 21 de maio de 2018


Escrito para homenagem à iniciativa dos jovens de Maceté, especialmente à Bruno Maceté e sua militância para manter viva a chama da história.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Desabsurdo ao gosto de Zé Limeira

Desabsurdos ao gosto de Zé Limeira

Perguntando quem foi Lula
Ao poeta Zé Limeira
Resposta nada absurda
Respondeu já de primeira
Que é preciso de óculos
Pra aumentar a cegueira.

Lula nascendo rico
Do espaço aqui chegou
Vindo de Kriptônia
No seu jegue aterrizou
No sertão por ser mais frio
Por não gostar de calor.

Por ser bonito e altivo
E ter uma voz de veludo
Pela elite recebido
Também pelo seu canudo
Virou Papa e gigolô
Um careca cabeludo.

Inventou de ser o cara
Que a fome deu vazão
Quis importar o Alasca
Pra instalar no sertão
Só pra aparecer na Globo
Investiu mais de um bilhão.

Do deserto do Saara
Importou grande sequoia
Engravidou a justiça
Que vive em paranoia
Entre os cafetões juízes
E a foice da história.

Deu um dedo pra ser livre
Amassou o pão pro diabo
Deixou Hercules no chinelo
Deitou-se com o touro brabo
Num bordel serviu vestal
Numa cruz segue deitado

...

Absurdo do absurdo
Até para Zé limeira
É o que se vê no Brasil
De uma mídia carniceira
De um congresso servil
De uma elite caloteira

Bastava dizer em verso
O desenrolar do fato
Com todo seu absurdo
Pra Limeira o ultimato
E o povo nesse ardil
Sempre pagando o pato.

Inamar, janeiro 2018.                                        
Por ocasião da condenação de Lula.

sábado, 7 de outubro de 2017

SAGA DA SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO

SAGA DA SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO

Meu caro amigo e leitor
Com grande satisfação
Peço vossa atenção
Para o que quero propor
Na função de difusor
Da musa Sociologia
Irmã da filosofia
Que luta pra se firmar
Entre sair e ficar
Padece em agonia

Lá no tempo do império
Rui Barbosa apresentou
Projeto que iniciou
E que se tornaria sério
Trazia ao magistério
Da Sociologia noções
Mas as primeiras lições
Só no tempo da república
Sem alas pra escola pública
E analfabeto aos milhões

Foi com Benajmim Cosntant
A primeira introdução
O positivismo então
O fundamento garante
Mas logo algo frustrante
Do currículo a retira
Pois contra ela conspira
A Reforma de Pessoa
Mas nada acontece à toa
E isso nos admira

Dos anos trinta aos quarenta
Muita coisa aconteceu
Rocha Vaz se comoveu
Em Reforma instrumenta
A Sociologia re-entra
No currículo e no ensino
Para menina e menino
Da série ginasial
Preparatória final
Mas tenha calma, previno

Se em vinte e cinco entrou
Em quarenta e dois saiu
O Estado Novo aboliu
E Capanema brecou
A Sociologia ficou
Ausente mas debatida
E mesmo estando banida
Pelo Golpe de Estado
Seu retorno era almejado
Sua volta defendida

A esperança renasce
Depois de oitenta e oito
Nasce o desejo afoito
Mas ainda um impasse
Não faltava quem brigasse
Por projeto de retorno
Retraçando o contorno
Da lívia Sociologia
Em Substitutivo se adia
Darcy assina o estorno

Do retorno triunfal
Dois mil e oito é o ano
Quebra o bloqueio insano
Com documento legal
A sociologia afinal
Está no ensino médio
E é por seu intermédio
A formação cidadã
A sociedade no divã
À alienação remédio

O governo anuncia
Depois de quase dez anos
Em Reforma, novos planos
Para a ré Sociologia
O reformador desconfia
Que ela nos faz pensar
Por isso melhor deixar
Sem status de matéria
Para morrer na miséria
Junto com a filosofia

Sempre que no poder
O governo é elitista
De cunho capitalista
Já é possível prever
Pela história antever
A entrada e a saída
Toda vez que foi banida
A sociologia da grade
É sem dó nem piedade:
Criticidade tolhida

A sociologia assim
Ante o fato social
Reverte a lei natural
É mesmo o estopim
Em terra tupiniquim
Impede a reprodução
Do senso comum, então
Desnaturaliza a regra
Q’o estranhamento integra
Promove reflexão

Isso incomoda o poder
Então a sociologia
Bem como a filosofia
Eles querem demover
O intento é combater
Impedir que o estudante
Torne-se um ser pensante
Um sujeito mais humano
Libertado do engano
Um cidadão atuante

Agradeço a atenção
E o tempo dedicado
Para ler este recado
Que serve a uma função
Parca contribuição
Para a Sociologia
Que agora abrevia
Sua saga de labuta
Que nunca fugiu da luta:
Com ela se confluía

Onde houver sociedade
Haverá sociologia
Haverá filosofia
Onde houver humanidade
O Ensino de qualidade
Não pode esquecer a regra
A dúvida Nele se integra
Do estranhamento então
A desnaturalização
A consciência se alegra.


(por Inamar Coelho, 7/10/217)

Texto didático escrito em formato de Cordel por ocasição do Curso de Especialização em Ensino de Sociologia no Ensino Médio - UFBA/UAB.