sábado, 18 de julho de 2015

Bahia, Arte, Cultura, Estética!



Este texto em formato e tom de cordel foi possível durante as reflexões sobre estética necessárias e propostas no curso de Especialização em Ensino de Filosofia no Ensino Médio e servirá para o debate em sala de aula sobre nossa cultura da Bahia.


Bahia, Arte, Cultura, Estética!

Caro leitor e amigo
É grande a satisfação
De falar sobre um assunto
Que me causa emoção
É falar sobre a Bahia
Arte cultura e magia
Beleza e devoção

Vou logo pelo começo
No encontro singular
Nativos com portugueses
Marcando tempo e lugar
Num parto nada sutil
Foi onde nasceu o Brasil
Bahia que vou louvar

A cultura é o destaque
Que em nós identifica
A arte é nossa marca
É o que nos qualifica
Cinema e literatura
Música nossa cultura
E dança nos glorifica

O samba nasceu aqui
No seio do Camdomblé
Tendo que fugir pro Rio
Por perseguição da Fé
Foi tia Ciata Baiana
Representante africana
Fugindo da Santa-Sé

No Rio se estabeleceu
Com sua origem baiana
Fins do século dezenove
História que me ufana
Por todos os seus meandros
Donga e muitos malandros
Sinhô e João da Baiana

Maior marca brasileira
Pelo imenso exterior
É sem dúvida o samba
Seu batuque seu valor
Que se não fosse a Bahia
O Brasil nem existia
Nesse clima sedutor

No fim dos anos cinquenta
Surge um grande baiano
Nascido em juazeiro
João Gilberto causa dano
Com “Bim Bom” a Bossa Nova
Nosso Samba se renova
Em um jazz americano

Mesmo que seja do Rio
A fama e o direito
Sem Gilberto não teria
Surtido tanto efeito
Pois Vinícius e Jobim
Que não tocavam assim
Com o devido respeito

O Pais dançava o Rock
Nada nosso original
A jovem guarda era onda
Tudo muito trivial
Mas só a bossa ficou
Pois o pilar abalou
Da arte nacional

Então nos anos sessenta
Tom Zé, Caetano e Gil
Outros grandes baianos
Criam moda no Brasil
Inventou-se a Tropicália
Com toda parafernália
Pra arte novo perfil

Artes plásticas agora
Ao Oiticica devia
Martinês teatro inova
E Glauber então inicia
Nova forma de cinema
Na Literatura o tema
O bônus é da Bahia

Tom Zé unanimidade
Arte na veia pulsando
Em tudo vê um motivo
Para ir sonorizando
Baiano de irará
O mundo lhe dá lugar
E ele arte criando

Junto a ele Caetano
Poeta grande erudito
Gilberto Gil Rasta-man
Forró com Reggae bonito
Maria Bethania e Gal
Bahia massa real
Por essa arte milito

Mas Lembremos Jorge amado
Nosso grande escritor
Bem retratou a Bahia
Pai de Gabriela e Flor
Afirmou baianidade
Trazendo a novidade
O negro representou

Escreveu Jubiabá
Seu herói idealizado
Representou resistência
As putas, os deserdados
Jorge Amado Conhecia
A essência da Bahia
E merece ser lembrado

De sessenta pra setenta
Surge nosso rei do Rock
Bem no seio da Bahia
O diabo dando o toque
Raul Seixas a despeito
Sem necessitar trejeito
Sem necessitar retoque

Pseudos-rebeldes viam
A jovem guarda sem sal
Raul junta Rock e Baião
Misticismo e berimbau
A vanguarda na Bahia
O Rock cá principia
Com a cor e o tom local

Deixou como herança
O grande Marcelo Nova
Grande baiano roqueiro
Seu comportamento prova
Crítico e desbocado
Sarcasmo bem humorado
E o Rock se renova

Também Wilson Aragão
Com o seu capim guiné
E sua guerra de facão
Dizia Raimundo Sodré
"A mão que amassa a comida
Esculpe modela castiga"...
Bahia é arte e fé

Uma massa de talento
Que alimenta a nação
Dando seus braços e vozes
Gestos, gostos e lição
Ante todo preconceito
Fazemos arte direito
Essa é nossa vocação
                                            
Mas não posso esquecer
Nossa expressão cultural
A capoeira de Bimba
Tornou a luta legal
Fundada em salvador
Elevando seu valor
Como arte marcial

Esporte do mais completo
E cultura popular
Musicalidade impar
Arte pura singular
Essa nossa capoeira
Da mãe África herdeira
Marca o nosso lugar

Pelo som do berimbau
O ritmo que nos embala
O batuque do atabaque
A Nossa tristeza cala
Dos ancestrais as dores
Que se traduzem em cores
Danças, versos, e fala

Noutra arte da Bahia 
Além da nobre pintura 
Mario Cravo fez nome
Em refinada escultura
Suas grandes exposições
A céu aberto em salões
Afrobaiana cultura

A arte cá na Bahia
Seduziu um forasteiro
Nascido na argentina
Carybé é brasileiro
Ícone das artes plásticas
Entre Bahias e Áfricas
Da pintura alvissareiro

Ainda tem a poesia
Que é forte nesta terra
Desde Gregório de matos
Com bule-bule encerra
Uma recheada lista
De grandiosos artistas
E quem duvidar se ferra

Castro Alves dos escravos
Com seu navio negreiro
E depois Junqueira freire
Romântico brasileiro
Cuíca de santo amaro
E Myrian Fraga é claro
O time tá quase inteiro

Sei que esqueci alguns
É fácil compreender
A Bahia é um mundo
De arte pra conhecer
Mas todo esse percurso
Foi apenas um recurso
Pra uma coisa dizer:

A estética é uma área
Da pura filosofia
Que se ocupa do belo
Percebido em harmonia
Reflexão sobre o gosto
Daquilo que é proposto
E que arte evidencia.

Pra concluir vou dizer
O que disse Riachão
"Cada macaco em seu galho"
É o mais certo bordão
"O meu galho é na Bahia"
É aqui que a arte se cria
Nosso estado emoção

É pena que o baiano
Desconheça seu valor
Sendo o samba nossa arte
Nossa alma nossa cor
Tenha seu lugar no Rio
Foi aqui q’ele surgiu
E merece nosso amor

Bahia repositório
Da arte pura e real
Em cada canto uma arte
Local e universal
Canto, dança e poesia
Sagrado profano magia
Num caldeirão cultural.


Inamar Coelho, julho de 2015.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Ontologia

CORDEL SOBRE ONTOLOGIA

(pensado para uma aula sobre o tema ontologia dos conteúdos de filosofia no ensino-médio)

Meu caro leitor amigo
Neste instante singular
Peço que junto comigo
Comecemos a pensar
O que é o ser no mundo
E das coisas, qual o fundo
O que é ser e estar

E a coisa, o que é
Qual o seu fundamento
Deixando de lado a fé
Por outro conhecimento
Das coisas a natureza
São muitas as certezas
Diversos os pensamentos

Essa busca é ontologia
Pela essência do ser
Quando ao mito convergia
Se tentava responder
São muitas as tentativas
E sempre o que as motiva
É buscar compreender

O mito por muito tempo
Regia todo o pensar
Mas todo conhecimento
Ficando a desejar
Observar a vida humana
A natureza que emana
Se tentava explicar

Precisava-se da razão
E de uma ruptura
E toda experienciação
Tornou-se eterna procura
Mas o mito continuou
Junto à razão andou
Por toda nossa cultura

Vou mencionar alguns
Que pensaram sobe isso
E de um modo incomum
Prestaram um grande serviço
A toda a humanidade
Que a busca da verdade
Se tornou um compromisso

Será algo resumido
O que tenho pra falar
Jamais será exaurido
Há muito o que estudar
É apenas uma pincelada
Ou uma linha traçada
Para apenas começar

Parmênides – 530 – 460 a.C.
Heráclito – 535 – 475 a.C.

Primeiro os pré-socráticos
Tentaram responder
De modo até mais prático
Era a manifestação do ser
Suas reflexões pioneiras
Em torno das causas primeiras
Sobre o que se podia ver

Parmênides por sua vez
Pensava o ser imutável
Único em si mesmo talvez
Pra sua época louvável
Mas Heráclito pensava
Que do devir se tratava
De fluxo, de ser mutável

Protágoras – 480 - 411 a.C.

Prótagoras  pensou então
Ser o homem a medida
Das coisas, das que são
Que elas são, percebidas
Das que não são, também
Que elas não são, pois bem
Sua catedral erigida

Górgias – 485 - 380 a.C.

Mas  Gorgias pelo seu turno
Trouxe novo pensamento
Seu ceticismo soturno
Tenta novo regimento
É impossível Conhecer
A natureza do ser
E tinha seu argumento

Platão – 428 - 348   a.C.

Toma a palavra Platão
Fala sobre o conhecer
A anamnese, então
Sugere o reconhecer
Explica que o mundo sensível
Junto ao mundo inteligivel
Busca saber o que é o ser

Platão ainda revoluciona
De Alma traz seu conceito
Antes dele se menciona
Mas é dele o preceito
Que a alma da movimento
Dá a vida e complemeto
Ao ser para ser perfeito

Sócrates – 469 - 399 a.C.

Quando chega sua vez
Sócrates questiona então
Em busca de mostrar talvez
O cerne dessa questão
É mesmo na busca de si
Que ele vem introduzir
Do ser a reflexão

Platão antes propusera
Sobre ideias e formas
Aristóteles desconsidera
E propõe uma reforma
Não existe alternância
Então é na substância
Que a essência se conforma

Período Helenista – 323 - 146 a.C.

Tudo ia muito bem
Até surgir Alexandre
Por suas conquistas além
Por isso se tornou o grande
A noção Grega exclusiva
Perdeu a prerrogativa
Conforme o império se expande

O pensamento helenista
Influenciou a filosofia
O pensar grego haja-vista
Lugar ao novo cedia
O Cinismo e o  Ceticismo
O Epicurismo e o Estoicismo
O pensamento regia

Então os Estoicos sugerem
Que o real é corpóreo
E da observação inferem
Haver também o incorpóreo
O primeiro é material
O segundo é mental
Inexprimível e sensório

Para os estoicos existia
Uma inteligência universal
Que a realidade dirigia
A providência racional
O homem, vontade e razão
Mesmo impulsionado então
Por instintos de animal

Plotino 204 – 270 d.C.

As ideias de Platão
Voltam à influência
Neo platonismo então
Uma nova consciência
Então surge Plotino
Seu mais novo paladino
3 hipostases em vigência

O universo foi dividido
Nas hipóstases plotinas
E o ser foi concebido
Na forma que predomina
Como princípio, o Uno
A Inteligência em segundo
E  a Alma o que anima

Descartes 1596 - 1650 d.C.

Vou agora dar um salto
Ao que pensou Descartes
Com ele o ponto alto
Do método seu baluarte
Diz que o sujeito pensante
É que o fundamento garante
O ser das coisas, destarte

Descartes traz 3 substâncias
Ao cerne da ontologia
Res-divina primeira instância
Sua catedral erigia
Res cogitans racionalidade
Res extensa materialidade
Dimensões do objeto aferia

Immanuel Kant 1724 – 1804 d.C

Mas a grande virada
Da questão da ontologia
Foi com Kant inaugurada
Dando ao sujeito a primazia
No centro do conhecimento
Quando antes o entendimento
Nos objetos se construía

É o sujeito que conhece
E representa os objetos
E esse aspecto merece
Um estudo mais completo
Para Kant o conhecimento
Tem na sensibilidade o fomento 
Para o entendimento o trajeto

A intuição seria
Assim o estágio primeiro
O entendimento viria
Seguindo esse roteiro
Para gerar os conceitos
E se chegar ao perfeito
E almejado entendimento

Ao fenômeno, ligadas
Estão a matéria e a forma
Espaço e tempo tomados
Por seu turno como forma
Pois toda experiência
Depende da confluência
Espaço e tempo, informa

Martin Heidegger – 1889 – 1976 d.C.

Heidegger vai preocupar-se
Em diferenciar ser de ente
Dessa forma inaugura-se
Teoria nova, certamente
O homem é ser no mundo
E compreender-se, no fundo
É uma busca consciente

Com três tipos de entes
O homem se dá assim
Os intramundos rentes
Com outros entes, enfim
Também consigo mesmo
Buscando ensimesmo
Encontrar-se outrossim

Todo esse percurso
É para esclarecer
A dificuldade em curso
Pra definir o que é o ser
Mas isso é bem normal
Não chegamos ao final
Muito há a percorrer

Espero que o amigo
Busque comprovação
E tenha nisso que eu digo
Apenas motivação
Para buscar entender
Sobre o mundo e sobre o ser
A partir da indagação


Inamar Coelho (10/05/2015)

domingo, 12 de abril de 2015

Lembrança de Jorge Amado


Caro amigo e leitor
Do grande baiano amado
Escritor de alto valor
Pelo mundo renomado
Pai de flor e Gabriela
Pela sua vida bela
aqui merece ser lembrado

Letras com sentimento
ao retratar a Bahia
apontou o sofrimento
esbórnia e alegria
das putas, dos deserdados
retratou os condenados
e como tudo principia

Sujeitos de sangue quente
mulheres de cama e cura
mitologia e gente
descendentes da mistura
Jorge Amado no seu tempo
descreveu a contento
sem fazer conjectura

Ao relatar os costumes
consciência e ousadia
o traço não se confunde
língua crua e poesia
o grito ecoa forte
a arte supera a morte
sua voz não silencia

Do homem pouco resta
Se deste ou daquele lado
a arte é o que interessa
e o que ele deixou tá fadado
a redimí-lo das falhas
mas um, sem o outro falha
e tudo pôde Jorge Amado

À dor do povo deu voz
ofendeu a burguesia
à desigualdade algoz
resistência e rebeldia
afirmou baianidade
mestiçagem identidade
deu ao mundo a Bahia

tenda dos milagres narra
de Pedro Arcanjo a trajetória
escritor, malandro, de fé e farra
pardo paisano é sua gloria
Lídio corró – amizade fraterna
Contra o preconceito, luta eterna
Do ojuobá essa é a história

Com a força de xangô
deu à raça primazia
trouxe a língua nagô
e o que o negro sentia
ritos música e dança
fé coragem esperança
personificou a Bahia

Na obra Jubiabá
trouxe o herói idealizado
odisséia em que dará
um grande passo, Jorge Amado
Balduino por excelência
Representou a resistência
E da história, o outro lado

Cercado de orixás
ativismo e anarquia
soube bem representar
tudo o que é a Bahia
grande terra de Oxalá
Gabriela, Jubiabá
onde o Brasil principia

A vida baiana presente
com toda a miséria e grandeza
as peripécias dessa gente
em pastores da noite a certeza
que Jorge Amado conhecia
em essência, da Bahia
toda a magia e beleza

Amado de todos os santos
escritor da maioria
aos pais e mães de santo
verdadeira idolatria
denunciou a realidade
criticou a sociedade
deu ao povo “alforria”

Com a obra do escritor
a educação está em debito
e tudo o que ele deixou
merece de todos o crédito
sua obra é documento
esperemos a contento
no Brasil um maior séqüito

Inamar Coelho 2006