quinta-feira, 14 de junho de 2018

Reforma Agrária e alimentos saudáveis: futuro da nação.

Fonte da imagem: http://florealandrade.blogspot.com/2012/06/charge-reforma-agraria-1985.html

Reforma Agrária e alimentos saudáveis: futuro da nação.

Caro leitor meu amigo
Peço vossa atenção
Pra falar de um assunto
De uma grande questão
Que envolve a humanidade
O campo e a cidade
Da nossa imensa nação

Falo da Reforma Agrária
Que há muito não se faz
Mesmo com lutas e lutas
Muitas décadas atrás
Tanta terra improdutiva
Tanta fazenda inativa
E o governo pouco faz

Muita gente fica contra
É grande a oposição
Manipulam a consciência
Da nossa população
Defendendo o poder
Que faz o povo sofrer
Tornando o povo vilão

O problema meu amigo
Não é só questão de terra
Vai além dessa noção
Que tem incitado a guerra
A questão é social
É um problema real
Que tão cedo não se encerra

É uma questão de vida
De sustentabilidade
É de produção orgânica
Em sua totalidade
Preservando a natureza
Comida boa na mesa
Essa é a grande verdade

Mais de cem mil famílias
Em média penam sem terra
Acampados no país
Vivendo a longa espera
Enquanto nossa nação
Sequer tem a noção
Do que a questão encerra

Hoje latifundiários
O monopólio detendo
Produzindo pelo lucro
Utilizando veneno
Expulsando o camponês
Agora vejam vocês
A natureza morrendo

O camponês meu amigo
É o único capaz
De produzir alimento
De modo mais eficaz
Orgânico e mais saudável
E o que é inegável
Ao futuro satisfaz

Nossa saúde agoniza
E o futuro também
O agrotóxico mata
O orgânico faz bem
Agricultura familiar
Esta poderá mudar
Esta é a que convém

Ainda o Agronegócio
Só ao lucro prioriza
Pouco importa a saúde
(Faça ai sua pesquisa)
Agindo com tal crueza
Agride a natureza
Mei’ambiente agoniza

Grandes extensões de terra
Desmatam para plantar
Produzem com agrotóxicos
Sem muito se preocupar
Com saúde ou com a vida
Com nossa terra querida
O intuito é lucrar

Esse tal Agronegócio
Não leva em consideração
Que é mais de 30 por cento
Com toda convicção
É preciso ressaltar
A agricultura familiar
Na nossa alimentação

Lutar por Reforma Agrária
Deve ser luta geral
Pois é luta pela vida
Pois o perigo é real
Estão plantando veneno
Não estamos entendendo
Essa questão social

A mídia nada informa
Pois defende o fazendeiro
Com terras improdutivas
Agronegócio é dinheiro
Enquanto o trabalhador
Enfrenta o dissabor
Ser tornado desordeiro

Nossa TV dissemina
Mentiras de toda sorte
Difama o povo sem terra
Do nordeste sul e norte
Sem dar espaço nem voz
Numa inversão feroz
A oposição é forte

O não uso do veneno
No campo é vida legal
Preservando a natureza
Agricultura real
Terra pro trabalhador
Demonstrar o seu valor
Sendo esse o ideal

É preciso consciência
E muita reflexão
Avaliar os dois lados
Aprofundar a questão
Nem tudo é como parece
E nossa atenção carece
Tal racionalização

O Câncer tá assolando
Graves problemas reais
A natureza agoniza
Assassinatos brutais
Contra a Reforma Agrária
É questão prioritária
Estes são temas centrais

Conflitos de terra e mortes
Concentração fundiária
Trabalhadores sem terra
É uma questão primária
Eldorado Carajá
Esperamos com pesar
Nossa Reforma Agrária

Reforma Agrária esta
Está mais do que urgente
Fazendas improdutivas
Oligarquias vigentes
Resta à educação
Mudar essa direção
Alertando nossa gente

Ainda há esperança
Gestada na educação
Reforma da consciência
Alterando tal noção
Reformar é a saída
Isso é questão de vida
Amor, trabalho e pão

Inamar Coelho, 14/06/2018

Texto Pedagógico

segunda-feira, 21 de maio de 2018

125 anos do Fogo de Maceté.


125 anos do Fogo de Maceté.


O dia vinte e seis de maio
Início da trajetória
Do embate iniciado
Que guardamos na memória
De luta, coragem e fé
O fogo de Maceté
Um marco da nossa história

Quando Antônio Conselheiro
Andava pelo sertão
Encontrou em Maceté
Acolhida e atenção
Mas aquele penitente
Co’aquele povo valente
Sofreram perseguição

Chegava no seu encalço
Tal força policial
Do Estado da Bahia
Portando seu arsenal
Os praças e o Tenente
Prenderia o penitente
Por um ato oficial

Mas na hora do embate
O povo de Conselheiro
Em defesa de seu líder
Fiel e sempre ordeiro
Revidou com valentia
Ali o “fogo” acendia
Era o embate primeiro

Foi tiro pra todo lado
Da parte da força armada
O povo do conselheiro
Com facão e espingarda
Alguns soldados morreram
Os que sobraram correram
Em fuga desordenada

Foi em mil e novecentos
No ano noventa e três
Era vinte e seis de maio
Digo a todos vocês
Ali começou uma guerra
Que manchou a nossa terra
E digo com lucidez

N’Os Sertões tem o registro
Da tentativa covarde
Do ataque aos penitentes
Na surdina e sem alarde
Em um massacre sangrento
Mas outro foi o evento
Até hoje o “fogo” arde

Morreu gente do beato
Da tropa também morreu
Maceté foi o lugar
Onde tudo ocorreu
Ali o fogo primeiro
E Antônio Conselheiro
Aquele que o acendeu

Ainda hoje crepita
O fogo nos corações
E cada ano se acende
Em belas atuações
Os jovens de maceté
Em arte, cultura e fé
Vencendo limitações

E todo ano esse fogo
Mantendo a chama viva
Recontando a história
Tornando a data festiva
Através da juventude
Com arte e atitude
Que a história sobreviva

Depois dessa tentativa
De matar o Conselheiro
Formam quatro investidas
Do governo Brasileiro
Na quarta expedição
Sob tiro de canhão
Um massacre verdadeiro

Que fique aqui registrado
Que o povo não se rendeu
Que os motivos da guerra
A gente não esqueceu
Está vivo na memória
No fogo e na história
O crime não prescreveu

Que o fogo de Maceté
Aqueça os corações
Tornando viva a história
Trazendo novas lições
Pra essa gente sofrida
Pelo brasil esquecida
A alma desses sertões.

Inamar Coelho, 21 de maio de 2018


Escrito para homenagem à iniciativa dos jovens de Maceté, especialmente à Bruno Maceté e sua militância para manter viva a chama da história.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Desabsurdo ao gosto de Zé Limeira

Desabsurdos ao gosto de Zé Limeira

Perguntando quem foi Lula
Ao poeta Zé Limeira
Resposta nada absurda
Respondeu já de primeira
Que é preciso de óculos
Pra aumentar a cegueira.

Lula nascendo rico
Do espaço aqui chegou
Vindo de Kriptônia
No seu jegue aterrizou
No sertão por ser mais frio
Por não gostar de calor.

Por ser bonito e altivo
E ter uma voz de veludo
Pela elite recebido
Também pelo seu canudo
Virou Papa e gigolô
Um careca cabeludo.

Inventou de ser o cara
Que a fome deu vazão
Quis importar o Alasca
Pra instalar no sertão
Só pra aparecer na Globo
Investiu mais de um bilhão.

Do deserto do Saara
Importou grande sequoia
Engravidou a justiça
Que vive em paranoia
Entre os cafetões juízes
E a foice da história.

Deu um dedo pra ser livre
Amassou o pão pro diabo
Deixou Hercules no chinelo
Deitou-se com o touro brabo
Num bordel serviu vestal
Numa cruz segue deitado

...

Absurdo do absurdo
Até para Zé limeira
É o que se vê no Brasil
De uma mídia carniceira
De um congresso servil
De uma elite caloteira

Bastava dizer em verso
O desenrolar do fato
Com todo seu absurdo
Pra Limeira o ultimato
E o povo nesse ardil
Sempre pagando o pato.

Inamar, janeiro 2018.                                        
Por ocasião da condenação de Lula.